
Participação na ECCE 2008
Outubro 30, 2008Realizou-se em Setembro no Funchal, Madeira, mais uma European Conference on Cognitive Ergonomics desta vez sob o título:“Ergonomics for Cool Interaction”. O tema pretendia de alguma forma promover a reflexão sobre o significado da emergência do termo “experiência do utilizador” e recentes (?) percepções sobre a necessidade (ou não) de ter em conta aspectos lúdicos e estéticos no desenvolvimento de artefactos computacionais. No fundo tentava-se contrapôr a investigação e prática nos campos atrás referidos com as perspectivas mais tradicionais relacionadas com o termo de usabilidade.
Dois oradores convidados apresentaram comunicações bastante interessantes. Norbert Streitz (http://www.ipsi.fraunhofer.de/~streitz), começou por esboçar um sumário histórico da área da Ergonomia Cognitiva, a sua influência no design e desenvolvimento de sistemas computacionais e contributos conceptuais e teóricos na sua própria evolução como investigador. A comunicação prosseguiu com a sua visão sobre os desafios que a computação ubíqua enfrenta e irá enfrentar, sob uma perspectiva Humana. Isto é, não centrada na tecnologia per se mas sim nas diferentes formas que a tecnologia pode alterar forma como as pessoas interagem umas com as outras e com o ambiente – “Smart places make people smarter”…
Houve no entanto um ponto que deverá suscitar alguma surpresa (e apreensão?), Streitz considerou que a proliferação de sistemas ubíquos deverá, tendencialmente, tornar a privacidade como um produto transacionável.
Por seu turno, Austin Henderson (http://www.pliant.org/personal/Austin_Henderson/), o outro orador convidado, apresentou uma comunicação em que realçou de forma muito elegante e expressiva as dificuldades que enfrentamos quando pretendemos desenvolver sistemas e correspondentes interfaces para contextos abertos, em que as possibilidades de uso ultrapassam muitas vezes os cenários inicialmente considerados pelos designers. O ponto chave é então considerar como essencial o design de aplicações que permitam não só suportar as circunstâncias particulares que de início são consideradas mas também facilitar a apropriação pelos utilizadores dessas ferramentas. No fundo, é este processo de apropriação que permite que a ferramenta seja realmente integrada nas práticas sociais em que está embebida.
Em relação à nossa participação neste evento, o Nuno Otero apresentou uma comunicação intitulada “Video Prototyping in Human-Robot Interaction: Results from a Qualitative Study” (em co-autoria com Dag Syrdal e Kerstin Dautenhahn). A comunicação frisou a necessidade de considerar as especificidades do desenvolvimento de sistemas robóticos, e os desafios que tal pôe quando se assume uma visão de desenvolvimento centrada no utilizador. Mais concretamente, que papel e como devemos ver o processo de prototipagem no design de interacções entre pessoas e robots? Adicionalmente, e focando o tema da conferência, os autores propuseram uma metodologia específica para lidar com a necessidade de “construir” protótipos e avaliá-los em relação à experiência do utilizador.