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CHI 2009

Abril 17, 2009

A CHI (Computer Human Interaction) é a principal conferência mundial na área da Interacção Humano Computador. A CHI 2009 (www.chi2009.org), com cerca de 2000 participantes, 1922 submissões em 17 categorias revistas por cerca de 2100 revisores, e 6 dias de duração, foi também um evento gigantesco, com direito à presença do CEO da ACM na cerimónia de abertura e alimentado por uma comunidade consolidada mas também muito variada, que combina informáticos, psicólogos, sociólogos, designers e artistas. No meio desta variedade há naturalmente lugar para apresentações muito diversas que vão desde os artigos convencionais até às sessões alt.chi onde se mostram algumas ideias … alternativas. Pelo meio há Notes (versões curtas de paper mas com o mesmo nível de archiving), posters de trabalhos em curso, competições de estudantes, filmes, demos e design vignette demos.
Para um informático como eu, uma ida à CHI é um passo importante na aceitação da ideia de que o desenvolvimento das tecnologias de informação não pode ficar apenas nas mãos dos informáticos e que as contribuições da sociologia, psicologia, etnografia, design, entre outras, são cada vez mais um elemento fundamental no futuro da informática. Aceitar esta ideia, e sobretudo levar as suas implicações a sério, faz parte de um percurso que nem sempre é fácil para quem produz a tecnologia, mas que depois de percorrido parece óbvio e inevitável. Foi por isso com grande expectativa que pela primeira vez participei nesta conferência, que seria para mim o culminar desse percurso, uma espécie de cerimónia iniciática depois da qual as últimas barreiras que me separam dessa comunidade desapareceriam para sempre.
Pois bem. Na realidade não foi bem isso que aconteceu. A conferência foi óptima pela grande variedade de experiências, pelas muitas pessoas com quem tive oportunidade de conversar e pelo maior conhecimento que agora tenho dessa comunidade. Mas mais do que um momento de aproximação, este foi um momento de distanciamento, um momento de reconhecimento de que a fronteira existe e o importante não é tentar remove-la. O importante é tentar garantir que de ambos os lados existem as competências adequadas para produzir tecnologia inovadora.
A conferência CHI desiludiu-me um pouco por ter poucas apresentações a falar realmente de criar tecnologia. A conferência é altamente competitiva, e os artigos apresentados descrevem estudos muito bem preparados, realizados normalmente com grande cuidado de rigor científico. O artigo típico da CHI estuda alguns factores de utilização da tecnologia, esforçando-se ao máximo para justificar as suas opções metodológicas e concluindo no final que contribuíram para o conhecimento sobre como essa tecnologia é usada. Contudo, ao assistir às apresentações fiquei muitas vezes com a ideia que a capacidade desses estudos para informar os processos de desenvolvimento de novas tecnologias ficava muito aquém daquilo que seria de esperar. Como informático que quer criar tecnologia, pareceu-me que a contribuição real que muitos desses artigos trazem para o desenvolvimento de tecnologia é de facto muito mais reduzido do que o que eu gostaria. Foi nesse sentido que fiquei um pouco desiludido com a conferência mas ao mesmo satisfeito por perceber que o lado da tecnologia não está a perder importância.
A CHI é seguramente uma grande montra para tecnologia bem desenvolvida, por isso para o ano vamos ver se estamos lá novamente para mostrar como se faz.

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